Em "Clímax", Gaspar Noé arrasta-nos para o abismo numa viagem sensorial alucinada que transforma uma celebração em pesadelo. Um grupo de dançarinos isola-se para ensaiar, mas, após beberem sangria adulterada com LSD, a realidade dissolve-se. Filmado com longos planos-sequência, luz estroboscópica e coreografias hipnóticas, o filme é uma descida ao inferno - sem redenção. A narrativa é mínima, mas o impacto visual e sonoro é avassalador. Noé filma corpos em êxtase, colapso e violência, testando os limites da perceção e do desconforto. "Clímax" é menos história e mais experiência: um delírio coletivo em que a dança se transforma em linguagem de desespero. Não é para todos, mas para quem se entrega, é um transe inquietante.