Inspirado na obra de Rui Nunes, "Grito" transforma memórias traumáticas numa experiência sensorial marcada pela melancolia e pelo desconforto psicológico. Luís Costa criou uma curta-metragem fragmentada e profundamente atmosférica, na qual o mar e a noite funcionam como um espelho emocional da protagonista, consumida pelo seu passado. Longe do terror convencional, o filme mergulha num terror íntimo e existencial, sustentado por uma realização rigorosa e imagens assombradas pela solidão. Um dos exemplos mais fortes do cinema português recente a explorar o trauma como um fantasma permanente.