Mariana é uma pintora à deriva, consumida pela dor de uma relação falhada. O que começa como introspeção transforma-se rapidamente numa espiral de vingança e descontrolo. A curta aposta num horror emocional, onde o sangue substitui a tinta e a arte se torna catarse violenta. Cláudia Semedo entrega uma performance visceral, revelando a raiva, fragilidade e obsessão da protagonista com intensidade contida. Mais do que redenção, a sua jornada é sobre projetar dor no outro - um reflexo distorcido de expiação. A realização aposta em simbolismo e atmosfera tensa, ainda que alguns momentos dramáticos possam soar excessivos ou o final deixe pontas soltas. Ainda assim, "Espelho Meu" afirma-se como um retrato cru de sofrimento emocional, onde a arte e a dor se confundem. Imperfeito, sim, mas com força.