Brian O’Malley entrega-nos uma história de fantasmas envolta em decadência gótica, onde o sobrenatural é inseparável das heranças familiares. Situado na Irlanda rural do pós-Primeira Guerra Mundial, o filme acompanha dois gémeos órfãos que vivem reclusos numa mansão em ruínas, assombrados por uma presença invisível que dita regras rígidas: não deixem entrar estranhos, fiquem juntos, nunca saiam depois da meia-noite. A narrativa é construída com uma calma hipnótica, marcada por uma atmosfera melancólica e visualmente deslumbrante. A casa - húmida, sombria, afogada em névoa - torna-se um personagem por si só, refletindo a prisão psicológica e física em que os protagonistas vivem. "Os Inquilinos" não procura sustos fáceis. Em vez disso, mergulha-nos num terror elegante, sustentado por simbolismo e opressão. Para os fãs de horror gótico, este é um segredo sussurrado que vale a pena ouvir.