"Último Turno", de Anthony DiBlasi, é um pesadelo minimalista que transforma uma esquadra de polícia inoperante num verdadeiro altar ao inferno. Com uma premissa aparentemente simples - uma recruta novata encarregada de guardar o local na sua última noite de funcionamento -, o filme mergulha rapidamente numa espiral de terror psicológico e sobrenatural, onde nada é o que parece. Com ecos de "Assalto à 13.ª Esquadra", DiBlasi constrói tensão com precisão cirúrgica, explorando o espaço claustrofóbico e a solidão da protagonista para criar um crescendo de paranoia, visões macabras e cultos satânicos que parecem ter deixado mais do que pó nas celas. Juliana Harkavy carrega o filme com uma interpretação contida mas poderosa, tornando credível cada grito sufocado e cada dúvida sobre o que é real. "Último Turno" é um daqueles filmes de terror que fazem muito com pouco, assombrando pela atmosfera, pela sugestão e pela sensação constante de que algo - ou alguém - está prestes a irromper das sombras. Uma pérola do terror independente que prova que, por vezes, o verdadeiro inferno está atrás de uma porta trancada.