Patrick Ridremont transforma o espírito natalício numa espiral de terror psicológico envolvente, onde cada janelinha do calendário do advento revela não doces, mas decisões macabras. Misturando folclore sombrio com um ritmo implacável, este conto moderno sobre desejo, sacrifício e culpa segue Eva, uma ex-bailarina numa cadeira de rodas que recebe um misterioso calendário alemão - um artefacto antigo que promete milagres... mas exige obediência. O filme oscila com confiança entre o drama pessoal e o horror sobrenatural, elevando o seu conceito bizarro com uma atmosfera tensa, uma direção artística arrepiante e uma interpretação magnética de Eugénie Derouand. À medida que as regras do jogo se tornam mais claras (e mais cruéis), o espectador é confrontado com uma pergunta desconfortável: até onde estaríamos dispostos a ir para recuperar o que perdemos? Original, inquietante e surpreendentemente emotivo, "O Calendário" é um dos raros filmes de terror que consegue ser, ao mesmo tempo, sangrento e poético: um presente envenenado que deixa marcas muito depois da última janela estar aberta.